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Newsletter Cultura 002 - Obituário.

(Imagem: Google)


Nosso segundo Marcador no Blog da Biblioteca da Cultura será ‘Obituário’. Quando surgiu esse livro em 2007 (imagem), fiz o meu blog morenocris, em maio desse mesmo ano. Hoje, [site]morenocris. A sempre plataforma do blogspot. Blog não é mídia e nem rede social. É apenas um diário na internet – weblog (expressão inglesa). Dizem que o primeiro blog surgiu em 1999. Teve impulso quando abraçou o jornalismo e a política nos seus templates. Mas tudo de forma leve e sem regras, e, dessa maneira, os blogs foram criando uma linguagem própria, de diário. Surgiram blogs de assuntos vários, desde receitas de bolo, vinhos, o dia a dia de cada um. Com o tempo, a profissionalização dos autores exigiu o site, a página, a ligação com a mídia. Tudo texto longo. E para a mensagem rápida, se aproxima o pássaro, o twitter, com os seus 140 caracteres (atualmente, 280). Tudo rápido, voando. E os blogs? Bem, muitos estão no seu cemitério, outros, foram excluídos, e há os que são lembrados, de vez em quando. É o meu caso. Para criar a segunda newsletter da Biblioteca, fui lá, no meu blog chamado site, e dei uma roupagem digna nos textos dos amigos que já se foram, e que são sempre lembrados. Não é como o cemitério de Jorge Amado, ao contrário, mas é o nosso cemitério de pessoas queridas e inesquecíveis. Nesse obituário, temos seu Graciano, Hamilton Pinheiro, Gonda, Walter Bandeira e Afonso Klautau. Vale o registro.





(Imagem: Cris Moreno)

Mais de 50 anos trabalhando na televisão: Graciano Lobato Almeida. Entrevista concedida no Arquivo de Fitas da TV Cultura do Pará em 19/12/2011. Morreu sete anos depois, em 21/06/2018. Graciano Almeida trabalhou na televisão justamente na época da ditadura militar. Tempo em que as matérias eram chamadas de filmes, para a sessão de cinema. Formado em Ciências Contábeis, ‘o seu Graciano’, como era conhecido, fez em outubro desse ano, 50 anos trabalhando na televisão, sendo 25 só de TV Cultura, onde iniciou como operador de áudio, para depois encontrar a história no arquivo de fitas (estava com 71 anos quando conversou comigo). Mas foi na extinta TV Marajoara que exerceu as funções de figurante nas novelas produzidas por Maria Silvia Nunes e Raimundo Mário Sobral, entre outros escritores da terra. Também foi cantor, ator, agente comercial e tesoureiro. Sua importante passagem o transformou em um arquivo vivo de lembranças. Infelizmente, Graciano só pode contar o que viveu. Com a extinção da TV Marajoara, desapareceram todos os arquivos de anos de produção da história da Comunicação no Pará. Os rolos de fitas foram danificados com o tempo, sem possibilidade de resgate. E as imagens fotográficas são reduzidas como arquivo público e, segundo ele, o que ainda existe, nessa linguagem, são arquivos pessoais de quem dividiu esses momentos e que estão espalhados por aí. Graciano Almeida também não possuía nenhum registro guardado com ele. ‘O seu Graciano’ era a própria história. A memória oral: 'Trabalhei na Marajoara durante 20 anos. Entrei como mimeografista e depois passei para a sessão de cinema como arquivista e editor. Chamavam as matérias dos repórteres de cinema. Editava e montava o filme. Eram carretéis de filmes com sensibilidade de 100 asa. Quando o repórter chegava da rua, pegava o filme e enrolava no tear, secava (como fotografia), e montava. Ia cortando o filme na moviola, grudando com acetona e o exibia. Era um trabalho interessante, mais participativo, diferente nos dias de hoje. Uns dois mil carretéis de filmes foram estragados com o tempo. Tinha problema de censura? Pergunto-lhe. Diz-me de imediato: demais!. Trabalhei na Marajoara praticamente durante toda a censura nos meios de comunicação. Ditadura militar. A televisão inaugurou em 1961. Tínhamos que mandar todos os dias para a Polícia Federal o resumo do que seria exibido, para ser liberado através de visto, do OK. O único problema que tivemos foi motivado por um equívoco na troca de um programa fora do horário programado (era um filme de tiroteio e de mortes). 'Eles' eram rígidos nessa questão. Também fui figurante (naquela época tínhamos novela ao vivo), além de cantor, ator. Trabalhei ainda nos departamentos comercial e de produção. Minha vida foi e continuou sendo a televisão'.

(Imagem: Cris Moreno)

Prossiga, Comandante!: Hamilton Pinheiro. Entrevista concedida no Departamento de Jornalismo da Rádio Cultura FM, em 15/07/2011. Morreu seis meses depois, em 10/01/2012. Com 42 anos de profissão, Hamilton Pinheiro da Costha, 63 (tempo de nossa entrevista), nasceu em Nova Timboteua, no Pará, mas viveu em Belém. Um dia, resolveu, na saída da escola (Paes de Carvalho), conhecer as instalações da Rádio Difusora do Pará (depois Rádio Liberal AM). Fez um teste e conseguiu estágio não remunerado para ser rádio-escuta, aquele que captava as informações de um rádio de longo alcance, e que selecionava, gravava e transcrevia para os noticiários, e mais tarde, a referida produção, servia ainda, para a página internacional do jornal O Liberal. Hamilton Pinheiro também foi plantonista esportivo, dividindo espaço com o jornalista especializado na área, Zaire Filho (também apresentador de programas especiais, com audiências elevadas), aos domingos. Daí, HP seguiu para a reportagem geral. A história se repete na televisão. De um teste na TV Liberal, logo que foi instalada, HP (como também era conhecido, além de 'Prossiga Comandante' ou, simplesmente, 'Comandante'), tornou-se a primeira voz a ser ouvida na televisão do grupo. Não concluiu o curso de Letras e Artes, da Universidade Federal do Pará, mas participou de vários eventos/cursos de jornalismo, apesar de ter o seu registro como direito adquirido. Hamilton fez a passagem para a televisão onde exerceu a função de redator e editor dos três jornais, além de editor do Bom Dia Pará. Mas o rádio chamou... E lá foi o Comandante para a Rádio Cultura, Onda Tropical, como redator-chefe. Divide o tempo, uma parte na TV, e outra, no Rádio. Mas, a TV chamou... E HP ficou na TV Cultura do Pará, como editor-chefe, onde fundou um Conselho Editorial. Já percebeu que Hamilton Pinheiro foi assumindo chefias e mais chefias. O mesmo no programa Sem Censura (TV Cultura) e daí SBT (chefia), campanha política, assessoria de comunicação na Prefeitura de Belém, RBA, TV Record. Aposenta-se. E, mais uma vez, o rádio chamou... E Hamilton Pinheiro dividiu a chefia com o jornalista José Vieira, no Departamento de Jornalismo da Rádio Cultura FM. ‘Comandante HP’ veio da época do jornalista Walter Guimarães, quando esteve como Diretor da Rádio Cultura FM. ‘Prossiga Comandante’, foi registrado pelo jornalista Douglas Dinelli, que adorava linguagem aeroviária. “Todo o início foi penoso, principalmente quando redigia e editava o jornal 'Primeira Hora' (uma hora da manhã), na Rádio Liberal AM, e precisava selecionar as informações em destaque do dia, para o desdobramento. Era tu e mais tu. Entrava intuição, experiência...”, testemunhou HP. A origem do Comandante foi no Rádio. Aperfeiçoou-se nos demais setores da comunicação e nunca se acomodou, mesmo quando chegou o curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Pará, na capital. Hamilton Pinheiro também deu palestras e aulas, e trabalhou, ainda, em jornais alternativos. Em todo o largo tempo nas chefias, demitiu apenas um profissional, e mesmo assim, no consenso de redação e direção. Todos os profissionais da terra, quase todos, passaram pelas chefias de HP ou, trabalharam com ele, como o jornalista Lúcio Flávio Pinto, na TV Liberal. Aliás, nossa conversa teve o recheio de nomes, nomes, nomes... os que trabalharam com ele e também, os que lhes estenderam a mão, quando foi preciso. Nenhum ficou de fora. E se fosse nomeá-los, esse texto ficaria extenso demais. Tinha uma memória excepcional, sem esquecer as datas. Hamilton Pinheiro sempre foi e continuou sendo equilibrado, humilde, uma pessoa que sabia ouvir todos os lados, adepto do diálogo. Contou-me que essa parte vem da família, com o pai militar, quer dizer, absorveu na sua vida o oposto do que vivia. Os filhos, dois rapazes, bem, seguiram o mesmo caminho na área do marketing e, como o pai, são diretores.

(Imagem: Cris Moreno)

Autoexilado, por conta da ditadura: Gonda. Entrevista concedida na Biblioteca da Cultura, em 29/12/2011. Morreu em 17 de janeiro de 2019, oito anos depois. ‘Gonda’, é o José Carlos de Medeiros Gondim, 69, jornalista, paraense, profissional de teatro e televisão. Foi ativista político durante a ditadura militar. Iniciou na comunicação em 1959, na Rádio Marajoara, como secretário da direção artística. Um passo para exercer a função de rádioator. Tinha falas, mas não eram papéis de expressão. Começa também a cantar e a produzir programas (com audiência significativa). Quando foi inaugurada a TV Marajoara, em 1961, o elenco da rádio passou para a televisão. Gonda se apresenta como cantor e ator. “Como galã, fiz estreia na novela ‘A Letra Escarlate’, de Nathaniel Hawthorne, adaptação dos escritores paraenses Maria Silvia Nunes e Raimundo Mário Sobral”, relatou-me, acrescentando que “era como ganhava um dinheirinho, porque fazia engenharia civil na universidade”. E continuou contando a sua saga (essa saga): “Quando a Maria Silvia Nunes levou um grupo de teatro para participar de um festival no Rio de Janeiro, fui com eles e não voltei com o grupo. Morei no Rio de Janeiro durante 26 anos. Fiz transferência do curso da Universidade Federal do Pará para a Universidade Federal Fluminense. Mas não concluí a Engenharia. Virava-me dando aulas de Física, Matemática e Francês (tinha os quatro níveis da Aliança Francesa). Decidi pelo curso de Letras e Artes, e já praticava docência direto nas escolas, nas disciplinas Português e Literatura, tudo em Niterói. Antes de concluir o curso de Letras, montei um grupo de teatro na universidade (laboratório), e que foi o maior sucesso, inclusive premiado. Através desse grupo, conheci o ator Sérgio Britto, que morreu recentemente, e me convidou para trabalhar com ele, isso em 1969-70, quando iniciei o trabalho profissional ao seu lado, já no Rio de Janeiro, durante muitos anos. Um momento importante na minha vida, foi quando conheci Ítalo Rossi, e o dirigi em espetáculos, e que morreu também nesse ano, e ainda Fernanda Montenegro, entre outros atores famosos. Mas, eu fui presidente de Diretório Acadêmico, na época da universidade, antes de me formar, tempo do AI-5 e líder estudantil. E aí, começou a minha vida como ativista político. Sofri muito, apesar de não ter sido preso e nem torturado, mas tinha ficha registrada no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Para evitar maiores problemas, voltei para Belém e consigui trabalho na Rede de Bibliotecas da Amazônia, na Sudam, durante um ano. Mas ficou muito difícil viver no país, e então, faço o autoexílio. Fui para a Bolívia, de passagem. No Peru fiquei um ano. O mesmo tempo na Colombia, onde trabalhei como ator e professor. Voltei no final de 1977, para o Brasil. Um detalhe, fui preso no Equador, na ida para a Colombia, porque levava folha da coca para chá, adquiridas na Bolívia. Eram 250gr. O Sérgio Palmiquist, jornalista daqui, estava comigo. Depois de 15 dias detidos, fomos deportados para Colombia. Eles pensavam que éramos traficantes, mas depois perceberam que tudo nosso era natural, desde a alimentação, remédios, etc. O Serginho retorna com a esposa, e eu fico mais um tempo. Depois decido voltar ao Brasil, muito doente, por conta daqueles 15 dias de prisão, com problemas no estômago. Faço a viagem de barco, da Colombia até Belém. Outra saga. Já em Belém, fui convidado para trabalhar no jornal local ‘O Estado do Pará’, com o jornalista Afonso Klautau, como seu editor-chefe. Quando entra o jornalismo na minha vida. Com o agravamento da doença, vou para o Rio de Janeiro me operar. Não volto logo. Aceito o convite para trabalhar na Editora do ‘Caderno 3º Mundo’, uma revista de política e de esquerda. Enquanto todas as outras revistas faziam o normal, a Caderno 3º Mundo só dava notícias do terceiro mundo – Ásia, África e América Latina. Fui editor da edição brasileira durante muitos anos. Em 1988, aceito o convite para trabalhar em Belém, na TV Cultura do Pará, com o Afonso Klautau. Aposentei-me na TV Cultura. Ao mesmo tempo, participo de espetáculos teatrais nos grupos Cuíra e Experiência. Atualmente, sou freelancer na área de vídeo, e sócio minoritário de um bar e restaurante em Belém, o 'Dom Câmara', nas ruas Pariquis com a Apinagés. Não funciona aos domingos”. Sobre livros? (pergunto). Isso é uma tragédia, diz-me. “Depois de dois anos de pesquisas e produzindo crônicas em cima do romance do escritor Dalcídio Jurandir – O Marajó, me roubaram o notebook com tudo. Não havia feito cópia. Tenho trauma e não consigo escrever mais nada. Eu quero retomar o processo, e não consigo. Viajei várias vezes para Marajó. Era uma tese muito interessante sobre as mulheres, na história do Marajó. Espero superar isso, o mais rápido possível. Lá vão seis meses...”. E, encerra a entrevista, chateado e triste.

(Imagem: Cris Moreno)

Relíquia: Indexei Walter Bandeira no organizador de memória! Isso era a cara do Walter. Até depois de sua morte, em 02/06/2009, nos permite brincar com a sua memória. O reencontrei no Arquivo de Áudio da Rádio Cultura FM, claro, onde mais? Walter Bandeira trabalhou na Rádio Cultura FM (93,7) transmitindo vários programas, principalmente o de música erudita. Na verdade, indexaria Walter não como relíquia, o título foi apenas uma brincadeira, mas seria 'acervo paraense em vinil único'. O cantor, professor, compositor e ator,  Walter Bandeira produziu duas peças de arte na área do áudio: um vinil (Clichê) e um CD (Guardados & Perdidos). O vinil que foi gravado e mixado na empresa RJ Fonográfica Comercial Ltda, apresenta capa do artista plástico Aníbal Pacha e (incrível), ainda dispõe de telefone de contato para shows. Não foi produzido em CD, sendo considerado um acervo de raridade, principalmente em um dos arquivos da Rádio Cultura FM, que possui 19.180 exemplares, entre CD’s, K7, DVD’s, Vinil e Vinil Compacto.



(Imagem: Cris Moreno)

'É preciso reinventar a roda': Afonso Klautau. Entrevista concedida no gabinete da presidência da Funtelpa, em 09/06/2011. Morreu dois anos depois, em 26/06/2013. Afonso de Ligório Dias Klautau fez 58 anos no dia 4 de julho, dentro do tempo dessa entrevista. Com formação em História, Jornalismo, mestrado em Comunicação pela USP/SP, e com 41 anos de profissão, era um homem também do marketing. De tudo um pouco no jornalismo, abrangendo várias áreas, além de professor na Universidade Federal do Pará. Afonso Klautau era como uma bússola, um sexto sentido, um guru, um olhar que filtra o movimento de mundo. Conseguia extrair o fundamental, o que importa, o que interessa. Assim era o AK, com trânsito livre entre o jornalismo, publicidade e ensino, além da política, um de seus pontos forte. Entrevistá-lo foi como um achado. A pauta do dia (minha). Quer conferir?

Houve mudança na comunicação do Estado?

Pelo o que entendo, como profissional, você tem sempre dois grupos alternantes, que é o Grupo Liberal e o outro, que pertenceu há certa época à A Província do Pará, e que em outra época pertenceu ao O Estado do Pará, e agora pertence ao Diário do Pará, da família Barbalho. Sempre houve essa acomodação entre dois interesses divergentes, na questão de controle dos órgãos de comunicação no Pará. Na época de A Província do Pará, por exemplo, existia a Marajoara, a TV Liberal tinha o jornal O Liberal e as rádios. Foi sempre uma alternância. O que mudou de posse, do domínio, do poder dos grupos políticos do Pará, foi muito pouco, haja vista que até hoje o Grupo Liberal é o maior grupo de comunicação do Pará, mesmo levando em conta o crescimento do grupo da RBA, e não há coisas novas. Todas as expectativas de fazer coisas novas no jornalismo diário, jornalismo televisivo, foram sempre barradas nessas duas fontes de poder, o Grupo Liberal e a RBA.

Mudança talvez com o surgimento de outro grupo de mídia, ou mudança de consciência dos mesmos?

Hoje, são empresas familiares. O Grupo Liberal é empresa familiar. O Grupo RBA é a mesma coisa, dirigida pelos membros da família, agregando um ou outro executivo, ou outro profissional, mas são empresas familiares e oponentes em tudo, não só no mercado de venda, publicidade, assim como oponentes pessoalmente, existe uma briga pessoal, familiar, entre esses dois grupos. E isso dificilmente tenderá uma mudança de consciência, seja curto, médio, longo prazo. A criação de um novo grupo também dificilmente se daria, ou será? Porque é muito difícil você manter um jornal, uma TV, uma rádio. É preciso de um grupo que viesse e que tivesse muita grana de lastro para mantê-lo, isto é, não superavitário? Para mantê-lo no prejuízo durante bons anos até se firmarem? Porque isso não se pronuncia no estado do Pará tão cedo. Pode ser até uma questão de futuro.

A questão permanece, então...

Eu não vejo que vá acabar tão cedo esse tipo de litígio entre essas duas famílias, e que repercute na linha editorial de cada veículo, e que monopolizam a mídia local, com exceção da televisão, que abre uma brecha para a TV Record, base de um jornalismo policial e que também ocupou o seu espaço, na questão televisão. Foge do domínio do padrão de audiência, mas não foge do padrão jornalístico que caracterizou a RBA.

E as novas tecnologias no mercado que agregam informações?

O atual presidente da Sony, que é a maior indústria de eletroeletrônicos, disse na revista Veja que todo mundo diz que o futuro da informática, da propagação da informação, está nos tablets e ele não concorda, apesar de ser um avanço, e que o grande desafio hoje é fazer com que todas as redes sociais se integrem à televisão. A TV continua sendo o meio de comunicação de massa mais presente e mais articulado que existe. Ninguém se reúne para assistir um jogo de futebol diante de um monitor, como na televisão, por exemplo. Eu concordo com ele. Essa integração das novas mídias sociais com a televisão, acho de fundamental importância. A TV é aquele meio atualmente que mais congrega, e ele diz ainda, que essa interação vai fazer com que a televisão deixe de ser uma coisa passiva, para ser participante.

E sobre o conteúdo, não é o mesmo?

O conteúdo das redes sociais, dessas novas mídias, ainda é muito impregnada no conteúdo dos meios de comunicação tradicionais. Depende agora, de como reinventar a roda. De que maneira você consegue que esses meios novos, em termo de formato, de tecnologia, consigam exibir conteúdos novos, que ampliou o leque de pessoas que podem participar.

De transformações?

Essas novas mídias ajudam a transformar, elas não transformam, completamente. Elas não têm o poder de transformação. A abertura que elas trazem de participação de pessoas que nunca teriam acesso a jornais, rádios, televisão, de emitir sua opinião, de criar o seu leque de receptores, colocar questões que ela não teria outro canal, eu acho que isso já é um avanço na questão da transformação do próprio conteúdo. Elas não vão transformar o conteúdo por si só. Estão no caminho de transformação. Isso depende muito. O que são essas mídias sociais, no chamado primeiro mundo, onde praticamente todos têm acesso ao computador? E o que são chamados países emergentes? Como é no Pará, essa questão? Como que é em Belém? Como que é na sua rua? Quantas pessoas têm acesso às ferramentas que compõem esse mundo das novas redes sociais? De que maneira você pode inserir essas pessoas no 'embalo das redes'? São quadros completamente diferentes. Olhe, dizem que as novas redes sociais estão fazendo a revolução. Não acredito nisso. Auxiliam. É o local que tem o poder de pressão. É a participação das pessoas com o seu cansaço, que transforma em momento histórico. Está transformando o Oriente Médio num momento histórico. Então, pergunta-se: Qual é a importância das mídias sociais para a sociedade brasileira? Quantas pessoas as utilizam? Abertura de mercado? Liberdade de expressão? Articulação cultural? Posso dizer, é a solução da pátria? Não são. As pessoas podem participar ou não. As novas mídias não transformam por si só. Era o mesmo que dizer que a invenção da imprensa revolucionou o mundo religioso. Foi uma grande propulsora, já havia toda uma predisposição, movida pelos problemas da igreja católica, daí as outras igrejas. A televisão quando surgiu, ia mudar o mundo. Mudou. Com certeza mudou, tornou acessível a informação, entretenimento, mas não foi uma nova era. Só as pessoas têm esse poder.

E para encerrar, a nossa memória está ficando cada vez mais distante do passado...

Com essa nova onda de informações, velocidade, dinamismo, as pegadas vão ficar cada vez mais raras.

Comentários

  1. Muito bom conhecer um pouco da história de pessoas que contribuíram com suas atividades na Fundação, algumas delas conhecia só vista.

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