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Newsletter Cultura 006: Renovação

Janeiro, conhecido como o mês de renovação, chega ao fim. Mas esse processo de mudança nós já estamos vivendo desde o dia 16 de setembro de 2019, quando toda a nova programação da Rádio Cultura FM foi ao ar. O jornalista Lúcio Flávio Pinto fez destaque sobre um programa, Regatão, com o radialista Jacy Duarte. A newsletter da Biblioteca da Cultura disponibiliza a primeira parte do programa de hoje:

Confira imagem e elogio do Blog do Lúcio e a matéria do Portal Cultura fazendo registro da nova programação no dia anterior da mudança: 
Imagem: Cristina Moreno

PUBLICADO POR LÚCIO FLÁVIO PINTO 23 DE JANEIRO DE 2020

Uma boa notícia, enfim: Jacy Duarte voltará a apresentar o programa O Regatão, que ficou famoso nos anos 1950/80, pela Rádio Clube do Pará, “a voz que canta e fala para a planície”. Eu era um dos seus milhares de ouvintes, ainda menino, que se espalhavam pela capital e um vasto interior. A Funtelpa contratou Jacy por 10 meses, ao custo, nesse período, de 65 mil reais, com inexigibilidade de licitação, esta bem fundamentada, como se pode comprovar pelo anúncio que a Rádio Cultura fez do novo item da sua programação, que transcrevo, desejando sucesso e o melhor desempenho a este personagem da cultura popular paraense.


Imagem: Cristina Moreno



PUBLICADO POR MARÍLIA ARGOLO - 15 de setembro de 2019

Rádio Cultura FM estreia a "Faixa Nobre"

A grande novidade fica por conta da re-estreia do radialista Jacy Duarte à frente do “Regatão”, programa sucesso de público entre as décadas de 1950 e 1980, na Rádio Clube do Pará. Adaptada aos tempos de hoje, a atração promete agradar não somente seus ouvintes fiéis, mas também conquistar o público mais jovem. A viagem pelos rios do Pará vai recomeçar, agora com um toque digital e, ao mesmo tempo, caboclo e modernoso, bem ao estilo paraense. O novo “Regatão” entra no ar de 5h às 6h da manhã.
O regatão faz parte da cultura paraense, em seu ir e vir com mercadorias que abasteciam ribeirinhos nos pontos mais distantes do estado.  Alimentos, medicamentos, roupas e o que mais for possível imaginar chegavam aos clientes por meio de embarcações, sendo que em cada viagem o regatão, geralmente o dono do barco, ficava até três meses longe da família.
O esforço de alguns desses trabalhadores foi recompensado e eles se tornaram grandes empresários do ramo de supermercados, em Belém. O regatão era um tipo de comercialização milenar de produtos muito comum até hoje em países asiáticos, uma espécie de feira flutuante realizada em pequenas embarcações. Na versão amazônica, o regatão era um navio gaiola típico da região ou uma canoa pequena, onde os vendedores colocavam em exposição todo tipo de mercadoria, de panelas a alimentos.
Por outro lado, o programa “Regatão” surgiu em 1957 e foi moldado nesse espírito que fazia parte da vida dos ribeirinhos na década de 1950. Os hits de sucesso da atração eram a música nordestina como o xote, o baião e o forró de grandes nomes como Luiz Gonzaga, além da música regional como o carimbó e o siriá. O público-alvo era formado por nordestinos que vieram morar na Amazônia atraídos pela promessa de trabalho na extração do látex, na época áurea do Ciclo da Borracha, além de paraenses, sobretudo do interior do Estado.
Jacy Duarte apresentava as músicas, contava estórias e lia as cartas dos ouvintes, através de personagens que falavam a língua e usavam expressões típicas do caboclo. Ele criava conversas entre os tripulantes do regatão em diálogos pra lá de engraçados. E, nessa pegada humorística, o programa durou até 1985, porém Jacy conta que até hoje sente a fama do programa. Quando passa pelas feiras de Belém, muitos ouvintes ainda perguntam sobre a atração e ele, com bom humor, responde que o Regatão “está no estaleiro”.
“Fiz um programa no escuro sem saber o resultado que ia dar. Mas acabou sendo maior do que eu pensava. Eu fazia tudo sozinho. Criava as personagens, entre tripulantes do regatão e até seus animais como o cachorro ‘Ventania’ e o ‘Chamego’, que era o gato, e todo o roteiro”, relembra o radialista. Crianças, animais, preto velho, todos ganhavam vida nas atuações de Jacy Duarte que ingressou no rádio ainda adolescente atuando em radionovelas.
Mas os tempos são outros e Jacy se intitula inimigo da mesmice. “Eu modernizei o programa. Antes eu alcançava o público do interior e até de outros estados e países, como Noruega e Suíça, através dos clubes de radioescuta. Hoje, o programa é voltado para o ouvinte de Belém e região metropolitana, das ilhas próximas, e até onde chega o sinal da Cultura, pelo rádio e pela internet”, avisa Duarte.
O grande diferencial do “Regatão” está no formato. Agora ele não é só humorístico e ganhou um cunho social para chamar a atenção para temas importantes como a vacinação contra o sarampo, por exemplo, além de outras questões sociais que fazem parte do dia a dia da população. Algo assim bem tempos de hoje. Quem pensa que trazer de volta um programa de sucesso do passado seria difícil, se enganou. Jacy Duarte, nos seus mais de 80 anos de idade, topou e adorou o desafio.
A era digital facilitou a operacionalização do programa que agora conta com efeitos sonoros eletrônicos. “Antigamente tínhamos que fabricar a sonoplastia usando objetos no estúdio, era tudo muito improvisado”, explica. Como no antigo “Regatão”, Jacy também cuida de todo o roteiro sozinho, mas agora com a sonoplastia criativa de Agostinho Soares. “Modernizei o Regatão sem perder as suas antigas referências. Agora ele tem uma novidade: o enfoque sociológico e político, mas não o político partidário, mas o do homem político. Além disso, não está dedicado ao somente interiorano, mas à massa urbana de cultura mais elevada. Às vezes chego até a citar um filósofo, mas tudo na graça, na brincadeira da forma que todo mundo entenda. Todos podem entender e se divertir com as piadas do programa”.
Jacy é paraense, de Belém, tem 82 anos, é radialista, publicitário e cronista. Formou-se em Direito e Administração, considera-se autodidata em Filosofia. Começou na Rádio Clube do Pará como ator de radionovelas. Comandou pelo menos seis programas de grande audiência.

Imagem: Cristina Moreno


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