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Newsletter Cultura 008: Indício

O escritor, ensaísta, linguista, filósofo, crítico literário e de artes plásticas, além de médico psiquiatra, Jean Starobinski explica que o indício vem como o início de uma reflexão, um sentimento inscrito. Verbalizado. Em 'A tinta da melancolia', obra que fala sobre uma história cultural da tristeza, o suíço é didático ao dizer que tanto do lado do médico, quanto do paciente, uma doença é um fato da cultura. Para ser um fenômeno biológico, é isolada para observação e posterior designação e/ou classificação pela ciência. Diante disso, percebo que um novo coronavírus, da doença covid-19, nos isola. Para não colapsar o sistema de saúde. Evitar a propagação ao outro. Não podemos negar que há uma melancolia no ar, além do vírus, é claro. Ora, melancolia é uma doença porque já foi dita, verbalizada. Como diz Starobinski, o sentimento não é a palavra, mas só pode se disseminar através das palavras. E acrescenta que, para o crítico, para o historiador, um sentimento só pode ser objeto de estudo depois que aparece num texto. E assim, Jean se propõe traçar um esboço de uma história da nostalgia. Detecta que assim, presenciamos, primeiro, a criação de uma doença. Da nostalgia, vem a saudade. Feito todo este histórico, como alerta para o isolamento, sem se isolar, intimamente. Veja algumas sugestões digitais para dar espaço a um alegre saber, como revela o médico:


Cidade de São Paulo, dia 20 de março: a maior metrópole do país começa a desacelerar para conter a propagação do novo coronavírus  (Germano Lüders/EXAME)

  • Vida à distância
  • O coronavírus forçou o isolamento e antecipou hábitos que levariam anos para ganhar escala. O futuro chegou de um jeito trágico — quem sairá ganhando?







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