de ti desconheço até o nome
morro de medo de mergulhar
na fundura dos teus olhos tristes
aquosos mangues de longitudinais morreres
algas caranguejos onda
lambem as bordas de teu retrato oval
circunscrito pela desmedida razão
humana masculina racional
desenganada
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀pela medicina
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ banco
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ público
[a finitude enganavas com banhos de mar]
agora o corpo curvo
fecha as persianas da janela
teme o vento forte abrindo a porta
não pode deixar o pulmão ser atingido
ludibrias a vida de certa maneira
com tua agulha nos olhos a rasgar
fazendo vértices e sangues, gotículas
mas fazendo
e sabes mais, a melancolia infinda em teu retrato
desmantela qualquer explicação e verdade
na aproximação entre aquela e a felicidade.
Olga Savary
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Olga Savary (Belém, Pará, 1933 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Poeta, contista, romancista, tradutora e jornalista. Publica seu primeiro livro de poesia, Espelho Provisório, em 1970. No ano seguinte recebe o Prêmio Jabuti de Autor Revelação, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Entre 1975 e 1987 traduz obras de Jorge Semprúm, Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa, Octávio Paz, Pablo Neruda e Román Cano. Conquista em 1977, o prêmio de Poesia concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), pelo livro Sumidouro. Representao Brasil, em 1985, no Poetry International, na Holanda. Em 1997 ocorre a publicação de seu livro de contos O Olhar Dourado do Abismo, com prefácio de Dias Gomes (1922-1999) e xilogravuras de Rubem Grilo (1946). Sua obra poética, de tendências contemporâneas, abrange os livros Altaonda (1979), Magma (1982), Linha d'água (1987) e Retratos (1989), entre outros. Segundo o crítico Felippe Fortuna, "ao estrear numa década violenta da história política do País, Olga Savary atravessou-a com a delicadeza da linha-d´água no papel, sem se permitir a poesia engajada: ela é, de fato, poeta dos elementos, das formas naturais, das pequenas elegias". Confira+
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Olga Savary (Belém, 21 de maio de 1933 – Teresópolis, 15 de maio de 2020) foi uma escritora, poeta, contista, romancista, crítica, ensaísta, tradutora e jornalista brasileira.[1]
Olga nasceu em Belém, no Pará, em 1933. Era filha única do engenheiro eletricista russo Bruno Savary e da paraense Célia Nobre de Almeida. Enquanto criança, absorveu fortemente os elementos da cultura de sua terra natal, transmitidos pela família materna. Até os três anos, teve a vida dividida entre Belém e Monte Alegre, no interior do Pará, cidade de seus avós maternos. Em 1936 seu pai, por motivo de trabalho, leva a família para o Nordeste, onde fixa moradia em Fortaleza.[2][3]
Em 1942, os pais de Olga se separaram e ela foi para o Rio de Janeiro onde passou a morar com um tio materno, começando a desenvolver suas habilidades literárias. Aos onze anos passa a redigir um jornalzinho, incentivada por um vizinho, para quem escrevia, sendo remunerada por isso. Sua mãe, no início, recriminava a vocação da filha, pois queria que ela se dedicasse à música, o que Olga detestava. Nesse tempo, ela começa a escrever e a guardar seus escritos em um caderninho preto, que sempre era deixado com o bibliotecário da ABI para que sua mãe não o destruísse.[3]
Sua convivência com a mãe se torna difícil ao ponto de Olga, aos 16 anos, pensar em ir morar com o pai, desistindo por achar que ainda estaria muito perto da mãe. Contudo, aos 18 anos, Olga volta a Belém, indo morar com parentes e estudando no Colégio Moderno. Posteriormente decide voltar para o Rio, onde começa a alavancar sua carreira de escritora.[3]
Participou do filme de 1968, 'Edu, Coração de Ouro.[4] Correspondente de diversos periódicos no Brasil e no exterior, organizou várias antologias de poesia. Sua obra também está presente em diversas antologias brasileiras e internacionais, como a Antologia de Poesia da América Latina, editada nos Países Baixos, em 1994, com 18 poetas — inclusive dois prêmios Nobel: Pablo Neruda e Octavio Paz.[5]
Foi poeta, como gostava de ser chamada, contista, romancista, crítica, tradutora e ensaísta. Traduziu mais de 40 obras de mestres hispano-americanos,[1] como Borges, Cortázar, Carlos Fuentes, Lorca, Neruda, Octavio Paz, Jorge Semprún e Mário Vargas Llosa, e também os mestres japoneses do haicai - Bashô, Buson e Issa.[5]
Foi membro do PEN Club, associação mundial de escritores, vinculada à Unesco, da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI - Associação Brasileira de Imprensa e do Instituto Brasileiro de Cultura Hispânica. Foi presidente do Sindicato de Escritores do Estado do Rio de Janeiro em 1997-1998. Foi também conhecida por ter sido a primeira mulher brasileira a lançar um livro inteiramente dedicado a poemas eróticos.[5]
Colaborou com vários jornais e revistas do Brasil e do exterior. Teve também alguns de seus poemas musicados pelo compositor e intérprete Madan, Pedro Luiz das Neves (1961 - 2014), como "Çaiçuçáua", "Pele" e "Geminiana".[5]
Olga morreu em Teresópolis, 15 de maio de 2020, por causa de uma parada cardíaca, devido a COVID-19.[3][6
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